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PARTICIPAÇÃO DO ALUNO

Foi-se o tempo em que a escola era um território pensado e planejado apenas por adultos – os quais acreditavam ser detentores do que seria “melhor” para as crianças e os jovens. 

Hoje, a participação dos estudantes nas redes sociais – e o alto consumo de informação opinativa – fez dos terrenos virtuais a nova “Ágora” e a possibilidade de construção de uma mitologia própria, com histórias e heróis. Uma pesquisa recente da Amdocs (empresa de tecnologia com foco em jovens) mostrou que 64% dos brasileiros entrevistados entre 15 e 18 anos checam as redes sociais assim que acordam.

O reflexo desse comportamento no terreno real é que o espaço de diálogo tornou-se uma necessidade; opinar, escutar e ser escutado são condições fundamentais para “sentir-se parte” de qualquer ambiente ou sistema.  Os estudantes de hoje são chamados, dentre diversas nomenclaturas, de “nascidos digitais”; o paradigma da interação é inato, segundo a maioria dos pesquisadores.

Assim, as escolas estão aprendendo que a voz do estudante presente em seu “ecossistema” de comunicação não pode ser mais privilégio das instituições de ensino, antes chamadas de “democráticas”, e tidas como radicais em termos de gestão participativa.  As instituições privadas, de forma geral, estão hoje se mobilizando para evitar a “evasão de corpo presente” ou o desinteresse dos estudantes.   

Pesquisas como a Aprova Brasil, realizada pelo Unicef, já mostravam há algum tempo: aluno desconectado e não participativo aprende menos.  Por outro lado, segundo esse mesmo estudo, espaços institucionais abertos para a participação do estudante melhoram o aprendizado e a vida escolar.

As experiências retratadas vão desde veículos de comunicação que ampliam a participação dos indivíduos ou dos grêmios – como rádio escolar, jornal ou blog – até modelos de simulação da ONU, por exemplo. Nesse caso, cada grupo de alunos representa um país e deve dialogar para a tomada de uma decisão.

Acima de todos os fatores, o debate e a participação são condições importantes para que a escola cumpra um papel fundamental numa sociedade democrática: é ela o primeiro local em que o estudante pode e deve exercer o poder de opinião e decisão, mas também respeitar o desejo alheio.  Trata-se de um exercício que deve ser vivido, e não apenas lido em livros de História.

Fonte: Alexandre Le Voci Sayad