Notícias

Comentário Redação ENEM

O tema "Democratização do acesso ao cinema no Brasil" poderia ser problematizado sob a perspectiva da elitização da cultura e a visão segregacionista assumida pelos órgãos responsáveis pela difusão do capital cultural no Brasil no momento em que torna o acesso às manifestações artísticas, como o cinema, restrito a nichos espaciais consagrados com determinado prestígio. Essa lógica permeia o campo dos textos de apoio que evidenciavam as parcas estruturas de espaços culturais e salas de cinema principalmente em regiões, cidades e bairros em que a exclusão social se dá em grande escala. O eixo histórico poderia ser acionado, uma vez que as regiões Norte e Nordeste aparecem como espaços sociais nos quais a acessibilidade ao cinema é precarizada. A menção histórica seria salutar, dado que essas regiões, na dinâmica desenvolvimentista brasileira, sempre foram marginalizadas em níveis econômico e cultural. Sem o pecúlio intelectual que pode propiciar a Sétima Arte, os indivíduos se veem impactados negativamente. A ausência do capital cultural traz intrinsecamente a falta de pertencimento a uma série de fatores. A atenuação do cotidiano voraz, as reflexões acerca da vida pela retração da realidade simbólica ou pragmaticamente e o aguçamento da criatividade passam a ser fortemente vetados quando não há proximidade com determinado evento. O Direito constitucional às variadas formas de arte, incluindo o cinema, é sobretudo um acesso ao capital cultural. Sem ele, portanto, ultrapassar a barreira da camada dos sentidos primários já se torna um empecilho. A construção e a produção dos "gostos", sem acessibilidade à arte, encontram-se dilapidadas. A fragmentação da educacional fragiliza as consciências. Entre os déficits, está o fortalecimento de estigmas sociais... Ademais o cinema não deixa de ser um fomento a outras práticas artísticas, como a leitura, a dança, a música. Sem ele, assim, perde-se a oportunidade de se descobrirem novas formas do fazer artístico. Intervir na questão remete a órgãos competentes que possam viabilizar mecanismos que possam formular, estruturar, fiscalizar, baratear ou mesmo tornar livre o acesso ao cinema, por exemplo, em espaços culturais em que as classes menos afortunadas possam usufruir das produções e pretendam, por meio desse processo democrático, diversificar seu pecúlio cultural.